Vamos compartilhar nossa experiência pessoal e como casal, pois pensamos que assim fica mais prático, possibilitando às pessoas que virão a ler esse artigo, uma experiência concreta com estas realidades espirituais que, com certa ou muita dificuldade, um bom número não consegue colocar na prática de suas vidas.

A nossa experiência com a oração começou  faz muito tempo. Desde muito jovens, quando chegamos na Canção Nova, fomos educados e exercitados na vida de oração de uma forma muito prática. Fomos aprendendo a cultivar um modo de aprender a aplicar aquilo que conhecíamos sobre a oração e a espiritualidade nas nossas tarefas diárias. Eis uma coisa maravilhosa! Monsenhor Jonas, nosso Pai fundador, nunca nos deixou enveredar por nenhum tipo de experiência espiritual que nos tirasse da realidade.

Na verdade, também não foi sem dificuldade que fomos construindo este discernimento que hoje nos ajuda a compreender o que é a vida de oração, e o que é a espiritualidade, e como estas duas realidades estão presentes em nossa vida e, podem ser, na medida em que vamos amadurecendo, conduzidas e treinadas como uma habilidade que a gente pode fazer com que cresça cada vez mais.  

Não nos recordamos do ano, mas lembramos perfeitamente quando um pequeno livro do Frei Patrício Sciadini chegou até nós. Não lembramos nem do título! O pequeno livro  falava da oração e da espiritualidade de um modo absolutamente prático e novo para nós. Embora já tivéssemos uma experiência muito concreta da vida de oração pessoal e daquilo que a espiritualidade é,  não havíamos ainda compreendido a fundo o que era uma coisa e outra e, mais ainda, não havíamos compreendido a fundo que vida de oração e a espiritualidade são duas realidades diferentes, mas que se complementam de uma forma organizada na vida da gente. 

Naquele momento, através daquele livro aprendemos que, basicamente, a vida de oração é feita daquilo que a gente faz para rezar, por exemplo, o santo terço, a leitura e o estudo da palavra de Deus, o jejum, o rosário e a confissão sempre que necessária. Estes são os ingredientes de uma vida de oração. Logo depois, entendemos que a espiritualidade é aquilo que, naturalmente, transborda da vida de oração. Aprendemos que a vida de oração é uma semente que se planta no terreno da vida, e a espiritualidade é o fruto que a gente colhe, coisa que surge naturalmente do interior de alguém habitado pela presença de Deus. Naquele tempo único, compreendemos o quão revelador era para nós o entendimento, pois, na verdade, aquilo que aprendemos alí,  determinou o aparecimento de uma das raízes mais profundas e fortes da nossa vida com Deus. 

Portanto, Eliana e eu estávamos aprendendo a rezar, a concretizar a nossa opção por Deus na oração, de um modo comprometido com a realidade da vida. Estávamos também, em um  contínuo exercício de viver nossa vida de oração e transbordar a presença de Deus através de nossas palavras, nossos gestos, nossas decisões e, principalmente e, no modo como nós nos relacionamos com a gente mesmo, como as pessoas,  com o mundo ao nosso redor, com Deus e com a Igreja.

Foi em 2009 quando, através de uma imensa provação pela qual tivemos a graça de passar, que nos sentimos despertados pelo desejo de fazer uma experiência de oração a dois. Desta forma, decidimos começar a rezar juntos e apostar tudo na oração. De mãos dadas – literalmente -, à cada dia, íamos buscar no concreto de nossa vida, o conteúdo de nossa oração a dois; uma experiência bem concreta. 

Algo de essencial que desejamos documentar, é o fato que, até então, Eliana e eu não havíamos vivido ainda uma experiência de oração a dois,  concreta daquela forma. Tudo era muito novo para nós, e começamos a caprichar naqueles momentos de oração tão simples, mas, tão ricamente recheados com a verdade daquilo que vivíamos a cada dia. Na prática, nos encontrávamos, quase sempre à noite, escolhíamos um tema para rezar, por exemplo a educação do nosso filho; daí, dávamos as mãos e nos perguntávamos  o quê íamos falar com Deus. De um modo bem espontâneo, rezávamos, tomávamos a Palavra de Deus, e começamos a tomar nota daquilo que vivíamos. 

Foi exatamente a partir dessa experiência e através das anotações que fazíamos, que preparamos o livro “Quando um casal reza…-  um guia prático de vida de oração e de espiritualidade para o casal.”

Entendamos, e este é nosso testemunho, que a espiritualidade conjugal é feita do modo como o casal resolve viver as realidades mais concretas de suas vidas, a partir  da experiência de fé que possuem, concretizada em momentos de oração. Queremos deixar bem claro que a espiritualidade conjugal tem, portanto, sua base na oração. Porém, queremos deixar mais límpido ainda, que a experiência da espiritualidade conjugal está profundamente ligada a vida do casal, entendida como ela é, por exemplo no trabalho, na educação dos filhos, na vida sexual, no modo como se gasta o dinheiro, nas amizades que o casal resolve cultivar, nos compromissos com a igreja, no modo como valorizam o lazer e tantas outras realidades, que são o recipiente da experiência com Deus que o casal faz.

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